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Como chegamos até aqui: uma breve análise sobre desigualdade e corrupção no Brasil moderno

O sociólogo Jessé Souza, n“A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato”, constrói uma sólida narrativa sobre a atual conjuntura política e social brasileira. Para isso, recorre principalmente à análise das relações sociais estabelecidas desde o período colonial, assentadas fortemente na relação entre senhores e escravos, cujas implicações ainda afetam o Brasil atual. Como contraponto, as obras de Sérgio Buarque de Holanda e Raymundo Faoro auxiliam na elucidação dos fatos.

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A falácia da meritocracia

Com a posse do 38º presidente da República, alguns termos da “nova era” chamam a atenção para si, como, por exemplo, a falácia da meritocracia. Logo, proponho-me, em primeira pessoa mesmo, a analisar o conceito com base nos preceitos de John Rawls, filósofo americano pelo qual tenho muito apreço. Além disso, aproveito o espaço para abordar brevemente as políticas de afirmação social e também as pautas identitárias e políticas de gênero. Discussões políticas sobre o novo governo e seu léxico nada comum, assim como a meritocracia implícita na reforma da Previdência, ficarão para uma próxima oportunidade.

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A Concepção de Justiça sob a Ótica de John Stuart Mill, Immanuel Kant e John Rawls

O norte-americano Michael Sandel é o responsável por um curso regularmente ministrado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e que agora chega ao Brasil sob a forma de livro: “Justiça – O que é fazer a coisa certa” (2015). De acordo com as ideias de Bentham e Mill, Kant, Rawls e Aristóteles, o autor aborda um tema de difícil compreensão, mas bastante pertinente: justiça nas instituições sociais. Do mesmo modo que Julian Baggini, com seu “O Porco Filósofo”, a narrativa é construída a partir de fatos do cotidiano, pequenas provocações, para, posteriormente, adentrar nos pressupostos dos filósofos. A partir da obra de Sandel, o presente texto propõe-se a analisar a evolução do conceito de justiça de John Stuart Mill, passando por Immanuel Kant, até John Rawls.

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O Manifesto Comunista e seus Desdobramentos

O panfleto incendiário idealizado pelos alemães Karl Marx e Friedrich Engels (ou somente Marx, como supõem alguns estudiosos) tem se mostrado, ao longo dos anos, como fonte histórica para um pleno entendimento da Europa capitalista e industrial, bem como de suas contradições. Todavia, o mérito atribuído a Marx pela análise da conjuntura econômica do continente e das mudanças vindouras junto com a livre concorrência é perdido em parte com a adoção de regimes totalitários e genocidas, como aquele estabelecido por Joséf Stalin na antiga URSS. O alemão, ao contrário de seus antecessores, almejava mudar o mundo e não apenas teorizar. As suas ideias  alcançaram um grande público, entretanto o impacto da adoção do socialismo/comunismo de acordo com os postulados de Marx e Engels e os possíveis males advindos de uma prática como essa ainda são questionáveis .

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Plutarco: Como distinguir o amigo do bajulador

Qualquer esfera pública que envolva poder e uma grande influência de alguém sobre outrem propicia o surgimento de bajuladores. Plutarco, um pensador grego contemporâneo à decadência do Império Romano e à ascensão do cristianismo, procura maneiras de diferenciar o verdadeiro amigo daquele que não o é.

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A Ditadura do Corpo Perfeito

Muito tem se falado em padrão de beleza, em uma tentativa inútil de trazer objetividade a algo que, logicamente, é subjetivo. Belo, o que é belo? Aquilo que agrada aos olhos do mundo ou aquilo que agrada a si mesmo. Contudo, de que adianta a casca quando se é oco por dentro? Eis um claro exemplo de fata de autoconfiança, da valorização às avessas, tentar ser o que não se é e, mais do que isso, perder a própria identidade em prol da opinião alheia.

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